sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Pierre Fatumbi Verger: O mensageiro entre Brasil e África

 

     "Pierre Edouard Léopold Verger (1902-1996) foi  fotógrafo, etnólogo, antropólogo e pesquisador francês que viveu grande parte da sua vida na cidade de Salvador, capital do estado da Bahia, no Brasil. Ele realizou um trabalho fotográfico de grande importância, baseado no cotidiano e nas culturas populares dos cinco continentes. Além disto, produziu uma obra escrita de referência sobre as culturas afro-baiana e diaspóricas, voltando seu olhar de pesquisador para os aspectos religiosos do candomblé e tornando-os seu principal foco de interesse."
 Fundação Pierre Verger

▪︎ Parte 1 ▪︎


                                  Vida em Paris. Iniciação Fotográfica                                                                    Viagens pelo mundo: América (fotos)

Obs:  Fotografias da Europa, Ocenania e das Américas não seguirão ordem cronológica e sim geográfica. O trabalho realizado no Brasil e a  na África é um capítulo à parte na Vida de Fatumbi, logo será também um capitulo à parte aqui em nosso texto.
                         

       Pierre Edouard Léopold Verger nasceu em Paris em 4 de novembro de 1902. Criado num ambiente burguês, mas sem se amoldar às convenções sociais, abandonando o Liceu aos 17 e rejeitando as oportunidades de trabalhos na empresa de tipografia da família.  Ainda jovem, juntamente com amigos esportistas - mesmo sem nenhum talento ou porte atlético - aproveita as horas vagas praticando racha pelas ruas de Paris com seus amigos.
Pierre Verger com seus irmãos e sua mãe. Paris, Anos 1900
       Em 1931, com 29 anos se viu só com a mãe. O pai, Léopold, e os irmãos, Louis e Jean, haviam falecido. Desfrutando de boa situação financeira, ele levou uma vida convencional para as pessoas de sua classe social até a idade de 30 anos, ainda que discordasse dos valores que vigoravam nesse ambiente.
        É pouco divulgado que o irmão de Veger, boêmio, morre jovem em um acidente de carro, onde é retratado num romance da época Dans Le Monde Ou L'on S'Abuse de Jean Fayard, publicado em Paris em 1925.
      O fim trágico de seu irmão fez Verger refletir, até a sua morte, a respeito de certos estilos de vida e talvez tenha influenciado a escolha de seu próprio estilo.

"[...] até a idade de 30 anos eu era um rapaz muito conveniente, à imagem da minha família. Eu levava uma vida razoável, na qual era necessário vigiar e escolher quem freqüentar: havia aqueles que eram desejáveis de se encontrar porque podiam ser úteis para a existência e aqueles pelos quais eu me sentia mais inclinado. que tinha uma certa fantasia, mas que não eram considerados como sendo relações desejáveis"
(lE BOUlER, 2002, p. 51).


       O ano de 1932 foi um ano de grandes mudanças para Verger, sua mãe Maria Samuel falece e aprende a fotografar com o amigo e professor Pierre Boucher. No mesmo ano segue para a União Soviética, onde registra o 15º aniversário da Revolução Russa e começa sua jornada épica fotográfica.
Pierre Verger


"[...] eu tirei as minhas primeiras fotografias com a idade de 30 anos em 1932. Fiz naquele ano a troca com um comerciante de máquinas fotográficas de segunda mão, do velho verascópio Richard da família por uma Rolleiflex, que também não era muito nova." (lE BOUlER, 2002, p. 53-54). 

       Entre 1932 e 1933, o interesse por modos de vida completamente diferentes o leva ao Taiti. Influenciado pela visão idílica do pintor Paul Gauguin (1848-1903) e pelo olhar antropológico do cineasta Robert Flaherty (1884-1951), captura em suas imagens a “feliz natureza dos polinésios”.2 Percorre as ilhas por mais de um ano. Fotografa tudo com acuidade técnica. Em suas imagens, reconstitui um mundo completamente diferente do seu. Vale-se de pronunciados contrastes de claro e escuro para recriar os hábitos, as tradições e o meio ambiente das ilhas, respeitando sua singularidade e beleza. Retorna a Paris em 1934, onde permanece por pouco tempo, mas em uma estada proveitosa. Os pesquisadores do Musée Etnographique du Trocadéro (futuro Musée de L’Homme) ressaltam o valor documental de suas fotos e sua perícia em retratar a diversidade cultural. 



   Lugares fotografados por Pierre Verger:
  • África: Argélia, Saharan Argélia, Camarões, Cape Verde, Congo Belga, Congo Brazzaville, Costa do Marfim, Daomé, Djibouti, Egito, Gabão, Guiné Francesa, Guiné Portuguesa, Upper Volta, Mauritânia, Níger, Nigéria, Sudanesa Sahara, Senegal, Serra Leoa, Sudão Frances, Ir.
  • América: Argentina, Bolívia, Brasil, Cuba, Equador, EUA, Guadalupe, Guatemala, Guiana Holandesa, Haiti, Martinique, México, Nicarágua, Panamá, Peru, Puerto Rico, República Dominicana, Trinidad e Tobago, Uruguai e abordo do SS Colombie.
  • Ásia: Camboja, China, Cochinchina, Índia, Japão, Laos, Malásia, Filipinas, Tonkin, Vietnã.
  • Europa: Inglaterra, Espanha, França, Itália, Portugal.
  • Oceania: Havaí, Polinésia Francesa, viagem a bordo do The Ville de Vero.

“Eu me pus a viajar, não tanto pelo desejo de fazer pesquisas etnográficas e trazer comigo reportagens, mas pela necessidade de me distanciar, de libertar-me e fugir do meio onde havia vivido até então e cujos preconceitos e regras de conduta não me tomaram feliz [...]. Eu procurava o meu caminho fora da vida traçada pela minha família e acreditei por um momento que conseguiria satisfazer minhas aspirações ao adotar uma linha de conduta e atividades ditadas por um movimento extremista, antiburguês. Eu tive a curiosidade de ir visitar a URSS." (LE BOULER, 2002, p. 55).


       De dezembro de 1932 até agosto de 1946, foram quase 14 anos consecutivos de viagens ao redor do mundo, sobrevivendo exclusivamente da fotografia. Verger negociava suas fotos com jornais, agências e centros de pesquisa. Fotografou para empresas e até trocou seus serviços por transporte. Paris, então, tornou-se uma base, um lugar onde revia amigos - os surrealistas ligados a Prévert e os antropólogos do Museu do Trocadero - e fazia contatos para novas viagens onde trabalhou para as melhores publicações da época:
  • Paris-Soir em 1934, junto com o escritor Marc Chadourne e o jornalista Jules Sauerwein, fizeram uma viagem ao redor do mundo, passando pelos Estados Unidos, Japão, China e outros países; 
  • Daily Mirror (Londres) de 1935 a 1936 encontra-se uma série de fotografias com curtas legendas. especialmente da Indochina, assinadas por Mr. Lensman, um pseudônimo de Verger; 
  • Life, em 1937 como correspondente de guerra para a China;
  • Agência Alliance Photo fez a cobertura fotográfica da exposição mundial de Paris; 
  • Match, em 1938, onde fez uma reportagem sobre o Vaticano; 
  • Argentina Libre e Mundo Argentino, em 1941 e 1942; 
  • O Cruzeiro, de 1945 até fins dos anos de 1950. 

     Como nunca almejou a fama, estava sempre de partida: "A sensação de que existia um vasto mundo não me saía da cabeça e o desejo de ir vê-lo me levava em direção a outros horizontes", afirmou ele.
        Em 1934 funda, com outros, a Alliance Photo, agência fotográfica que administra e divulga o material produzido pelos seus membros.
        Em 1941vai para a América do Sul. Conhece a Argentina e o Peru, onde estabelece residência e trabalha no Museo Nacional de Lima.


Gente, são tantas viagens e fotos, que é impossível colocar todas aqui, mas segue o link para quem quiser ver uma por uma: http://www.pierreverger.org/en/photograph-collection/photo-library/category/366-amerique.html

América - Fotografias


ARGENTINA 


 Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger


BOLÍVIA

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger




CUBA


Pierre Fatumbi Verger

Ernest Miller Hemingway
Pierre Fatumbi Verger



EQUADOR

Pierre Fatumbi Verger


USA

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger
Pierre Fatumbi Verger


GUADALUPE


Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger


GUIANA HOLANDESA


Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger


GUATEMALA


Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger
Pierre Fatumbi Verger


HAITI

Pierre Fatumbi Verger

Já aqui no Haiti, a gente começa a ver o estilo Verger que conhecemos, centrado em cultos religiosos:

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger


MARTINIQUE

Pierre Fatumbi Verger


MÉXICO


Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger


PERU


Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger



Oceania - Fotografias



Havaí


Pierre Fatumbi Verger


Polinésia Francesa


Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger



Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

Pierre Fatumbi Verger

▪︎ Parte 2 ▪︎


 Vida no Brasil, iniciação no Candomblé e a Cultura Afro-Brasileira                                                                 

       Depois de ler o romance Jubiabá,  de Jorge Amado (1912-2001), Pierre Verger decide conhecer a Bahia. Desembarca em Salvador em 1946. No mesmo ano, inicia colaboração na revista O Cruzeiro.

  O francês sente empatia imediata pelo povo da cidade. Encanta-se com a cultura negra, que predomina nas ruas e casas do lugar. Fotografa tudo, sem interesse documental. Retrata a beleza dos homens e mulheres que recriam o continente africano na cidade. Aproxima-se deles e procura entender suas histórias e tradições.

"Fui seduzido na Bahia pela presença de numerosos descendentes africanos e por sua influência em sua vida cotidiana neste lugar. Durante muito tempo nem sonhava em apontar minha Roleiflex em direção de pessoas de cores mais anêmicas" 
Pierre Verger 

     O interesse o leva ao candomblé, mais precisamente ao terreiro de Mãe Senhora, pelas mãos de Jorge Amado e Carybé. Num primeiro momento como observador, mas, progressivamente, se envolve com as práticas religiosas e se converte. A partir daí, a sua relação com a fotografia se modifica. As viagens abandonam a orientação imprecisa e seguem roteiro claro. Buscam as formas que o culto africano aos ancestrais e à cultura negra assumiram nos dois lados do Atlântico.

Com Obarayin, Opô Aganju, Lauro de Freitas, Brasil, 1992 - Foto Marcio Lima

"A boemia de salvador tinha também como hábito frequentar terreiros e Opô Afonjá era o terreiro naquela época dessa camada de personalidades da Bahia"
Juana dos Santos - Antropóloga

"Gostava de viver naquele mundo do candomblé, não por simples curiosidade. Além da simpatia que sentia pelos descendentes africanos não era insensível ao poder desempenhado por esta religião para manter sua identidade e sua fé "
Pierre Verger 

       No Brasil, conhece e documenta, em 1948, a religião dos voduns, de São Luís, Maranhão, e o xangô pernambucano. No mesmo ano, após ser iniciado no candomblé de Salvador, parte para Daomé, na África Ocidental. Lá encontra o rito dos orixás em sua formulação original. Em suas imagens busca revelar as diferenças e semelhanças nos rituais do Brasil e do outro país. Estabelece no trabalho um diálogo entre culturas separadas pela diáspora negra. Antes de voltar para o Brasil, conhece manifestações místicas em Paramaribo, Suriname (1948), e no Haiti (1949).

"Mãe senhora mostrou-se interessada quando lhe disse que iria partir para passar um ano na África . Ela bondosamente se propôs a colocar-me sob a proteção dos orixás que eu ia visitar proximamente. Quatro dias mais tarde, iria passar a noite no terreiro Opo Afonjá onde ela consagrou minha cabeça a Xangô, deus do trovão e entregou-me um colar de contas vermelhas e brancas, sua cores simbólicas. Eu tinha me tornado um dos filhos espirituais daquela grande mãe de santo e poderia falar em seu nome na África" Pierre Verger 


"Quando cheguei na África, me apresentei e disse que era de Xangô, então me disseram que dali a três semanas haveria a colheita de inhame para Xangô e me convidaram para ir. No dia, colocaram um enorme inhame sobre minha cabeça e eu acompanhei o pessoal ao mercado, onde está o altar de Xangô. 
Com uma mão eu segurava a Rolleiflex, com a outra segurava o inhame." 
Pierre Verger 

        O centro que financia a pesquisa, o Institut Français d’Afrique Noire (IFAN), exige, além das fotografias, um relatório escrito. A partir daí, o fotógrafo inicia a associação entre imagem e texto. 
       Fatumbi conheceu, “o axé do Bambá” como pouquíssimos Babalaôs, tendo inúmeros acessos - quem é do santo sabe como os acessos são difíceis na própria casa em que serve, imagine nos terreiros da Africa - além de trocar receitas. 

“Não havia entrado em minhas intenções descrever os costumes e crenças estranhas de uma população africana. Eu fazia aquela pesquisa para mim mesmo e para meus amigos na Bahia. A idéia de publicar os resultados para um público mais extenso não tinha me ocorrido. Foi Monod, que financiava minhas viagens através do Instituto Frances de Africa Negra que me obrigou a redigir.” 
Pierre Verger 

       Suas fotografias ganham interesse científico e passam a ser utilizadas na reflexão antropológica escrita. Os primeiros resultados de suas investigações são publicados em 1951, no livro Brésil, com prefácio de Alceu Amoroso Lima. No mesmo ano, Verger trabalha como fotógrafo na pesquisa da Unesco sobre o preconceito racial no Brasil. Na mesma época, muda o seu status no candomblé. Em 1951, passa a exercer a função de ogã no terreiro Opô Afonjá. Dois anos mais tarde, de volta a Daomé, torna-se babalaô (senhor das adivinhações). Lá ganha o nome de Fatumbi, que adota para o resto da vida. Segundo a pesquisadora Ângela Luhning, “este fato intensifica o seu contato com, e seu interesse pela cultura africana”.

“Em Keto fui iniciado na adivinhação como babalaô, pai do segredo, onde recebi um novo nome, Fatumbi, que significa : nascido de novo graças ao Ifá. A cidade de Keto era particularmente importante para mim, pois os primeiros terreiros de candomblé da Bahia tinham sido fundados por pessoas de sua origem”
Pierre Verger 


       Segundo os moradores de Keto, durante a estadia de Pierre Verger na África, ele não se impunha e sim negociava, desta forma, conhecendo todos os terreiros da região.


“Na Africa vivi entre eles sem nunca perguntar qualquer coisa. Convivi coma gente como seria uma coisa natural, ou que era uma coisa natural, porque sabia me comportar. Não perguntava ‘por que você faz isso?’ Onde você mostra sua ignorância.” 
Pierre Verger 


       Em 1954, Verger publica seu primeiro trabalho de fôlego sobre a cultura iorubá, Dieux d’Afrique: Culte des Orishas et Vodouns à l’ancienne Côte des Esclaves en Afrique et à Bahia, la Baie de Tous les Saints au Brésil, em que utiliza as fotografias dos deuses incorporados e uma descrição escrita sobre cada orixá, seu ritual e suas atribuições, primeira de várias das obras escritas por Verger que abordam o universo religioso do candomblé e das culturas africanas e afro-baianas. Desde então, tornou-se, até o final dos anos 80, um tipo de mensageiro entre Brasil e África, dividindo seu tempo e sua atenção entre estes dois continentes. Como ações resultantes desse trabalho, criou museus nos dois lados do Atlântico, incentivou intercâmbios culturais, universitários e religiosos entre a Bahia e os países do golfo do Benin, fomentando diversas trocas, principalmente entre Ifé, na Nigéria, e Salvador, no Brasil.

Dieux d’Afrique: 


République Démocratique Du Congo, Sakpata, Abomey, Bénin, 1948-1949
Pierre Fatumbi Verger
Héviosso, Abomey, Bénin, 1948-1949
Pierre Fatumbi Verger
Résurection, Sakpata, Abomey, Bénin, 1953
Pierre Fatumbi Verger

Résurection, Sakpata, Abomey, Bénin, 1953
Pierre Fatumbi Verger
Sortie, Sakpata, Abomey, Bénin, 1948-1949
Pierre Fatumbi Verger

Tohossou, Abomey, Bénin, 1948-1949
Pierre Fatumbi Verger

Hengba, Adjaweré, Bénin, 1952-1953
Pierre Fatumbi Verger
Gbada, Bénin, 1948-1953
Pierre Fatumbi Verger
Briki, Ifanhin, Benin, 1958
Pierre Fatumbi Verger
Ogoun Igbo Igbo, Ichede, Bénin, 1948-1953
Pierre Fatumbi Verger
Chasseurs Olodé, Kétou, Bénin, 1948-1953
Pierre Fatumbi Verger
Ifa - divination, Kétou, Bénin, 1948-1953 Pierre Fatumbi Verger
Cérémonie Shango soundidé, Ouidah, Bénin, 1948-1949
Pierre Fatumbi Verger
Cérémonie Shango soundidé, Ouidah, Bénin, 1948-1949
Pierre Fatumbi Verger
Obatala, Ife, Nigeria, 1949-1953
Pierre Fatumbi Verger

Alafin Oyo, Oyo, Nigeria, 1949
Pierre Fatumbi Verger
Dan Danménou, Porto-Novo, Bénin, 1948-1953
Dan Danménou, Porto-Novo, Bénin, 1948-1953
Zangbeto, Porto-Novo, Bénin, 1948-1953


      Verger ocupa-se cada vez mais de suas inquietações intelectuais. Estuda a diversidade religiosa dos povos saídos da África, o tráfico de escravos e a botânica tradicional das populações negras. Os trabalhos reatam o diálogo entre grupos sociais distanciados pela escravidão. 


“Aprecio o que essa religião é capaz de fazer para os descendentes de africanos, citando o caso de Balbino, por exemplo que quando eu conheci ele era um pequeno vendedor de quiabo no mercado, nem sabia ler. Porém, era um sujeito que é como é hoje: perfeitamente contente de si, ele mesmo não se sentia humilhado por ninguém e falava de igual para igual com qualquer pessoa porque era filho de Xangô"
Pierre Verger 

      Verger fica 17 anos na Africa, indo e vindo.

“Fiz assim numerosos idas e vindas entre a Bahia e a Africa, amo quase igualmente as duas margens do Atlântico, com um pouco mais de ternura, entretanto, pela boa terra da Bahia”
Pierre Verger 


       Em 1957 vai para Senegal e Cuba. Por meio de imagens e textos, coteja as divindades desses países com as do Brasil. 

Fluxo e refluxo : A Diáspora Africana                                              


       Em suas constantes idas e vindas entre a África Ocidental e a Bahia, Verger não deixava de se encantar com as semelhanças entre os povos dos dois lados do Atlântico. Na aparência, jeito de falar e costumes, ele via a comprovação de uma história entrelaçada. O tema o apaixonou tanto, que Verger chegou a exercer um importante papel na renovação desses laços. Aqui e lá, organizou museus, ciceroneou pessoas, transportou mensagens, fez pesquisas. E, para compreender os motivos dessas semelhanças, estudou a fundo o tráfico de escravos e o retorno de muitos deles à África, após a abolição, gerando assim uma de suas principais obras: Fluxo e Refluxo do Tráfico de Escravos entre o Golfo do Benin e a Baía de Todos os Santos dos Séculos XVII a XIX.

       A pesquisa começou em 1949, em Ouidah, quando Verger teve acesso a um importante testemunho sobre o tráfico clandestino de escravos para a Bahia: as cartas comerciais de José Francisco do Santos, escritas no século XIX. Aos poucos, ele foi descobrindo que, nos últimos anos do tráfico, os escravizados eram quase exclusivamente os iorubás, que o tabaco era a moeda de troca e a intensidade desse comércio abominável: "Os agentes da escravidão na Bahia tiveram relações estreitas com essa parte da África. Houve anos em que se registraram cerca de cem navios indo e voltando da Baía de Todos os Santos para o Porto de Ouidah".

        Foram cerca de vinte anos de pesquisas até o texto ficar pronto. Em 1966, Fluxo e Refluxo foi apresentado na Sorbonne, em Paris, que atribuiu a Verger - um autodidata que foi expulso duas vezes das salas de aula por indisciplina e parou de freqüentar a escola aos 17 anos - o título de Doutor em Estudos Africanos. A tese transformou-se em livro dois anos depois, em 1968, quando saiu a versão francesa. Depois de oito anos, em 1976, foi publicada a versão em inglês. O público brasileiro só pôde conhecer o livro em 1987, mais de vinte anos depois de pronto, quando a Editora Corrupio publicou a versão em português.

        Fluxo e Refluxo se tornou um marco. Nas suas 718 páginas, exibe-se um estudo criterioso, que esclarece aspectos até então obscuros sobre a escravidão e suas conseqüências econômicas, sociais e políticas. Verger não economizou esforços: descreveu as relações comerciais, tratou das revoltas e rebeliões de escravos, das formas de emancipação, das condições de vida, da legislação, do retorno à África, da vida dos descendentes de brasileiros e outros pontos. Transcrevendo literalmente muitos dos documentos consultados em arquivos em Londres, Lisboa, Paris, Haia, Bahia, Rio de Janeiro e Lagos, produziu o seu livro mais historiográfico.

     "M uitos dos pretos, ao voltarem libertos para a África com costumes brasileiros, fizeram lá uma espécie de Brasil, assim como se formou aqui uma espécie de África", dizia Verger; que considerava importante o reatamento dos laços entre esses povos irmãos. Com Fluxo e Refluxo, vários artigos e outras iniciativas, ele tentou colaborar para essa aproximação. E, de fato, a sua obra promoveu e continuará promovendo muitos avanços nesse campo, pois ela continua sendo uma das mais importantes fontes de informação para brasileiros e africanos, que desejarem conhecer melhor a sua própria história.

“O livro Fluxo e Refluxo, é um livro básico, capital, definitivo sobre esse tipo de tráfico (de negros, da Africa para o Brasil). É uma compilação historiográfica da maior competência, todos os documentos estão lá, você pode estudar cem anos em cima do que Verger só apontou as pistas.” 
 Milton Guran - Antropólogo e Fotógrafo

Ouidah, Benim, Anos 50                                      Acra/Acaraje                                         Salvador, Brasil, 1947
Pierre Fatumbi Verger

Abomey, Benim, 1948-1949                                                        Candomblé Cosme, Salvador, Brasil, 1946-1951
Pierre Fatumbi Verger


Kamanyola, República Democrática do Congo, 1952                                      Capoeira, Salvador, Brasil, 1946-1947
Pierre Fatumbi Verger
Porto-Novo, Benim, 1948-1949                            Bumba Meu Boi                                         Recife, Brasil, 1947
Pierre Fatumbi Verger


Porto-Novo, Benim, 1948-1949                                                                                         Salvador, Brasil, 1947
Pierre Fatumbi Verger

Ifanhin, Benin, Anos 50                                                        Candomblé Opo Aganju, Salvador, Brasil, 1972-1973
Pierre Fatumbi Verger

Ouidah, Benim, 1948-1949                                        Egun                                      Salvador, Brasil, 1951-1952
Pierre Fatumbi Verger

Parakou, Benim, 1948-1949                                                                                     Salvador, Brasil, 1946-1950
Pierre Fatumbi Verger


Cotonou, Benim, 1949-1952                                     Gêmios                       Xango Rosendo, Recife, Brasil, 1947
Pierre Fatumbi Verger


Briki, Ifanhin, Benim, 1958                                                          Candomblé Cosme, Salvador, Brasil, 1946-1951
Pierre Fatumbi Verger


Ouidah, Benim, 1948-1949                                                           Candomblé Joãozinho Da Gomea, Salvador, Brasil, 1946
Pierre Fatumbi Verger
“Posso dizer que foi o primeiro a demostrar a similaridade, entende? Botar por exemplo: um Axé Xangô na mão de um sacerdote na África e mostrar um Axé Xangô aqui na Bahia. Foi muito importante como o detonador, de mostrar que havia uma continuidade forte, africana no Brasil.” 
Juana dos Santos - Antropóloga



Lome, Togo, 1949                                                                                         Itapuã, Salvador, Brasil, 1946-1947Pierre Fatumbi Verger

Abomey, Benim, 1948-1949                                                                                            São Luis, Brasil, 1948
Pierre Fatumbi Verger


Adjaweré, Benim, Anos 50                                            Candomblé Joaozinho Da Gomea, Salvador, Brasil, 1946
Pierre Fatumbi Verger

Adjaweré, Benim, Anos 50                                                           Candomblé Miuda, Salvador, Brasil, 1946-1950Pierre Fatumbi Verger


Ewé - Veger e as Plantas                                                                                     


         Em 1995, foi lançado o livro Ewé, o uso das plantas na sociedade iorubá. Trata-se de 2.216 receitas com folhas, cascas, sementes, frutos, flores e raízes, usados para as mais diversas finalidades: problemas de pele, impotência sexual, falta de dinheiro, pesadelos, etc. Além da identificação das plantas e fórmulas, em iorubá e português, Verger inclui e analisa as palavras que devem ser pronunciadas durante os rituais, um ponto essencial na liturgia iorubá. Como explica Verger, "no candomblé, a coisa mais importante é a questão das folhas, das plantas que se utilizam no momento em que se faz a iniciação. A natureza está sempre presente dentro da cerimônia. Antes de se fazer a cerimônia, a gente toma banho de certas plantas, para ter esse axé, essa força que está dentro das plantas"

       O horto que Verger sonhava em construir no quintal nunca ficou pronto, mas basta dar uma olhada no terreno em volta da sua casa, atual sede da Fundação Pierre Verger, para perceber que, no pequeno espaço de que dispunha, ele conseguiu incluir o essencial. Aonde ia, estava sempre interessado nas plantas e não hesitava em pedir uma "mudinha". O interesse começou "desde 1950, mais ou menos, quando estudei para ser Babalaô, porque tinha o direito e dever de aprender com mestres africanos os trabalhos das plantas medicinais e litúrgicas".

       Na África, Verger recolheu e catalogou informações sobre 3.549 plantas usadas pelos iorubás, sendo que cerca de 200 delas são conhecidas no Brasil pelos nomes africanos. Seu interesse principal era o uso medicinal de plantas como revigorantes e calmantes, "que têm talvez intervenção no candomblé para ajudar as pessoas a receber o santo e também a voltar ao estado normal, porém, como as informações recolhidas sobre outras utilizações podiam ter interesse para outros pesquisadores tive que anotá-las". Um aspecto que ele descobriu ser fundamental é que "as plantas trabalham em sinergia, em combinação com outras".

        Como não dispunha de muito espaço, Verger reunia as plantas, estudava-as e depois doava. Em 1969, mandou 1.210 exemplares para Paris. Em 1976, doou 150 plantas da flora baiana ao Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia. Na reunião e classificação dessas plantas, ele contou com a ajuda de instituições como o Serviço Botânico de Ibadan, de pesquisadores como o biólogo Alexandre Leal Costa e de sacerdotisas como Mãe Senhora e Olga do Alaketu. Os primeiros textos sobre o assunto começaram a ser publicados no final da década de 60, tratando de aspectos como a memorização do uso das plantas através de versos, o sistema de classificação de plantas criado pelos iorubás e outros.

No Opô Aganju, Lauro de Freitas, Brasil, 1986 - Foto Lázaro Torre
   Progressivamente, a fotografia torna-se secundária em seu trabalho. Verger publica dezenas de livros e artigos sobre o trânsito da cultura negra no Atlântico. Por volta de 1973, desiste de fotografar, encerrando 50 anos de atividade. Nesse ano, torna-se professor na UFBA, onde trabalha para implementar o museu afro-brasileiro. 
       Em 1977, parte para a Nigéria, onde trabalha como professor visitante da Universidade de Ifé. A partir da década de 1980, seu trabalho ganha melhor exposição pública. A Editora Corrupio, de Salvador, inicia a tradução e a publicação de seus livros. Na mesma época são organizadas mostras de suas imagens. Em 1981, expõe com Mario Cravo Neto (1947-2009) no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) e no Museu de Arte da Bahia. Em 1989, é criada a Fundação Pierre Verger, que cuida de seu acervo e preserva seu legado. 

       No aniversário de 90 anos, em 1992, é homenageado com a mostra Brasil África Brasil, na Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pesp). Três anos mais tarde, publica seu último livro, Ewé: o Uso das Plantas na Sociedade Ioruba, com prefácio de Jorge Amado. Em 2002, é homenageado com a exposição retrospectiva O Olhar Viajante de Pierre Verger, primeiro no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM/BA), em Salvador, depois no Centro Cultural da Fiesp, em São Paulo.


Orixás                                                                                                    

      Dentro do meio do candomblé, na Bahia, Fatumbi recebeu o título de Asáelémassó, um posto grande dentro da casa de Oxaguiãn; no Opô Afonjá, ele tinha o posto de Ojuobá, na África era Ojérendê (Ojé é quem domina Babá Egun, quem tem o direito de falar com ele e segurar o inxam).      
       Fatumbi teve todos os acessos, títulos e cargos dentro do Santo, não só pela sua inteligência, jeito de ser, possibilidades financeiras ou o destino, mas sobretudo porque soube guardar segredo dos ritos, práticas e costumes, fundamental no Candomblé.

Candomblé Cosme, Salvador, Brasil, 1948 - 1952
Pierre Fatumbi Verger

Candomblé Cosme, Salvador, Brasil, 1948 - 1952
Pierre Fatumbi Verger

     Alguns dizem que Verger não acreditava em Orixá, pois era muito racional, entretanto cumpria todos os rituais. Ceci (Nancy de Souza e Silva), arquivista da Casa Pierre Verger, contou uma história (no filme Pierre verter: Mensageiro entre Dois Mundos)  que ele nunca deixou um pé de jaca crescer e dar frutos em seu quintal, sempre mandava cortar, pois ao dar frutos a jaqueiras, as Iamins Oxorongá ficariam todas embaixo dele.

Candomblé Joãozinho Da Gomea, Salvador, Brasil, 1946
Pierre Fatumbi Verger

Candomblé Joaozinho Da Gomea, Salvador, Brasil, 1946
Pierre Fatumbi Verger
Candomblé Joãozinho Da Gomea, Salvador, Brasil, 1946
Pierre Fatumbi Verger

Sophia de Exu, Salvador, Brasil, 1946-1950
Pierre Fatumbi Verger
     Com 90 anos Pierre continuava frequentando o maior número possível de festas de santo, mas dizia que não acreditava em nada, nem na sombra dele, segundo Arlete Soares. “Eu não acredito absolutamente em ninguém, em nada, nem na minha sombra.”


Mãe Senhora - Candomblé Opô Afonjá, Salvador, Brasil, 1946-1950
Pierre Fatumbi Verger

Initiation, Candomblé Opo Aganju, Salvador, Brasil, 1972 - 1973
Pierre Fatumbi Verger

Água de Oxalá, Candomblé Opô Aganju, Salvador, Brasil, 1972 - 1973
Pierre Fatumbi Verger

Fête Xango, Candomblé Opo Aganju, Salvador, Brasil, 1972 - 1973
Pierre Fatumbi Verger

Yabas, Candomblé Opo Aganju, Salvador, Brasil, 1972 - 1973
Pierre Fatumbi Verger


Falando sobre o transe do Orixá, Fatumbi diz:

“Para mim não é incorporação, para mim é uma manifestação da verdadeira natureza da gente. Uma possibilidade de esquecer todas as coisas que não tem nada que ver com você. Fica a pessoa como era antes de aprender essas “estupidezas’ de nacionalidade e outros comportamentos.”

     E completa que nunca teve este esquecimento dos Orixás, nunca entrou em transe:

“Infelizmente, não, porque sou um idiota francês racionalista.”


Candomblé Opo Aganju, Salvador, Brasil, 1972 - 1973
Pierre Fatumbi Verger

Fête de Yemanja, Salvador, Brasil, 1947
Pierre Fatumbi Verger


Capoeira                                                                                                    


Capoeira, Salvador, Brasil, 1946-1948
Pierre Fatumbi Verger

Capoeira, Salvador, Brasil, 1946-1947
Pierre Fatumbi Verger

Capoeira, Salvador, Brasil, 1946-1947
Pierre Fatumbi Verger

Capoeira, Salvador, Brasil, 1946-1948
Pierre Fatumbi Verger
Capoeira, Salvador, Brasil, 1946-1948
Pierre Fatumbi Verger

Capoeira, Salvador, Brasil, 1948-1951
Pierre Fatumbi Verger

Capoeira, Salvador, Brasil, 1946-1950
Pierre Fatumbi Verger


Retratos da Bahia                                                                                  

Types, Salvador, Brasil, 1946-1948
Pierre Fatumbi Verger

Pêche, Itapuã, Salvador, Brasil, 1946 - 1947 - Pierre Fatumbi Verger

Pêche, Itapuã, Salvador, Brasil, 1946 - 1947 - Pierre Fatumbi Verger

São Francisco, Architecture coloniale, Salvador, Brasil, 1946-1950 - Pierre Fatumbi Verger

Caymmi, Salvador, Brasil, 1946  - Pierre Fatumbi Verger
Embaixada Mexicana, Carnaval, Salvador, Brasil, 1951 - Pierre Fatumbi Verger

Filhos de Gandhi, Carnaval, Salvador, Brasil, 1959 - Pierre Fatumbi Verger

Filhos de Oba, Carnaval, Salvador, Brasil, 1959 - Pierre Fatumbi Verger

Afoxe Filhos do Congo, Carnaval, Salvador, Brasil, 1948 - Pierre Fatumbi Verger

Mercadores de Bagdad, Carnaval, Salvador, Brasil, 1959 - Pierre Fatumbi Verger

Mercadores de Bagdad, Carnaval, Salvador, Brasil, 1959 - Pierre Fatumbi Verger

Festa do Bonfim, Salvador, Brasil, 1959 - Pierre Fatumbi Verger

Fête de Ribeira, Salvador, Brasil, 1947 (comidas típicas da bahia) - Pierre Fatumbi Verger

Fête da Conceição, Salvador, Brasil, 1948-1951 - Pierre Fatumbi Verger

Fête Dois de Julho, Salvador, Brasil, 1950-1951 - Pierre Fatumbi Verger

Festa dos Navegantes, Salvador, Brasil, 1948 - Pierre Fatumbi Verger

Fête de Yemanja, Salvador, Brasil, 1947 - Pierre Fatumbi Verger

Fête de Yemanja, Salvador, Brasil, 1959 - Pierre Fatumbi Verger

Mercado Agua de Meninos, Salvador, Brasil, 1946-1948 - Pierre Fatumbi Verger

Marché Modelo, Salvador, Brasil, 1946-1948 - Pierre Fatumbi Verger

Mercado Modelo, Salvador, Brasil, 1948-1951 - Pierre Fatumbi Verger

Carybé, Salvador, Brasil, 1948-1951 - Pierre Fatumbi Verger

Mario Cravo, Salvador, Brasil, 1948-1951 - Pierre Fatumbi Verger

Pancetti, Salvador, Brasil, 1948-1950 - Pierre Fatumbi Verger

Porteurs, Salvador, Brasil, 1946-1948 - Pierre Fatumbi Verger

Poetas populares, Salvador, Brasil, 1946-1950 - Pierre Fatumbi Verger

Centre ville, Salvador, Brasil, 1946-1950 - Pierre Fatumbi Verger

Pelourinho, Salvador, Brasil, 1946-1950 - Pierre Fatumbi Verger

Ville Basse, Salvador, Brasil, 1946-1950 - Pierre Fatumbi Verger

Cena de rua, Salvador, Brasil, 1946-1950 - Pierre Fatumbi Verger

Cenas de rua, Salvador, Brasil, 1946-1950 - Pierre Fatumbi Verger

Scènes de rue, Salvador, Brasil, 1948-1951 - Pierre Fatumbi Verger

Santeiros, Salvador, Brasil, 1946-1950 - Pierre Fatumbi Verger


       Fatumbi faleceu em 11 de fevereiro de 1996. 
      Enterrado com todo o ritualismo do Candomblé e segundo Ifá revelou no documentário Pierre Verger: Mensageiro Entre Dois Mundo, sua alma descansa em paz pois ele atingiu todos seus objetivos na terra. Que tudo está perfeito e eles (Fatumbi e Orixá) se encontraram no além.


Documentário                                                                                                 


Título Original: Pierre Verger: Mensageiro Entre Dois Mundos
Título no Brasil: Pierre Verger: Mensageiro Entre Dois Mundos
Direção: Lula Buarque de Holanda
Gênero: Documentário
Ano de Lançamento: 2016
Duração: 82 min
País: Brasil
Sinopse: O documentário traz um importante trabalho de pesquisa realizado pelo diretor Lula Buarque e o roteirista Marcos Bernstein (Central do Brasil), que estiveram na África, na França e na Bahia em busca da trajetória do fotógrafo e etnógrafo francês Pierre Verger. Após viajar ao redor do mundo como fotógrafo, Verger radicou-se em Salvador da Bahia em 1946, onde passou a estudar as relações e as influências culturais mútuas entre Brasil e o Golfo do Benin na África. Gilberto Gil é quem narra e apresenta Verger: Mensageiro entre Dois Mundos, que faz um resgate da cultura Iorubá. O filme traz a última entrevista de Pierre Verger (filmada um dia antes de seu falecimento, em 1996), além de extenso material fotográfico, textos produzidos por Verger e depoimentos de amigos como o documentarista Jean Rouche (Musée de l’Homme, Paris), Jorge Amado, Mãe Stella, Pai Agenor e o historiador Cid Teixeira. A tão famosa ponte criada por Verger entre a cultura negra na Bahia e na África, rompida desde os anos 40, é reestabelecida no filme quando Gilberto Gil refaz o papel de Mensageiro e percorre os mesmos caminhos do fotógrafo. Outra descoberta de Verger apresentada no filme, são os descendentes da única colonização feita por brasileiros: os “Agouda”, africanos, habitantes do Benin e da Nigéria, que ainda hoje cultivam influências brasileiras trazidas por ex-escravos que retornaram do Brasil ao continente africano.









fontes:
http://www.pierreverger.org/br/pierre-fatumbi-verger/biografia/biografia.html 
http://filmescult.com.br/pierre-verger-mensageiro-entre-dois-mundos-1998/
https://www.youtube.com/watch?v=ZLeJzDKPnSo
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa2536/pierre-verger
https://blogcasadaphotographia.wordpress.com/galeria-2/mestres-da-fotografia/nacionais/pierre-verger/







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